miércoles, 6 de agosto de 2008

Mulher malvada

Assim como a tristeza pode levar um indivíduo ao suícidio, a mesma tristeza pode levar o mesmo individuo a actos de coragem.

Fernando chegando em casa com a Clara e Carolina, não falou uma palavra. Se limitou a ouvir Clara disparar com tudo o que tinha a dizer.

- Eu não sei onde estava com a cabeça que vim a casar com você. Se não fosse o meu pai, jamais teria feito tal enlace... E ainda por cima, adoptamos esta menina ingrata que não me quer nem por amiga. Você nem imagina o que tenho sofrido com a falta de carinho de vocês dois. E é por isso que lhe digo, Fernando, que não há maneira de que meu coração venha a ser mais condescendente. Estou isolada nesta casa e sei que tudo o que você queria era voltar para o lado da sua queridíssima e amada Joana...

Carolina ouvia atrás da porta do seu quarto mal fechado e se arrepiou toda quando ouviu o nome da mulher que o seu pai realmente amava... "Joana", seria sua mãe, perguntava-se ela.

- Mas quero lhe dizer, meu grande parvo, que não vai adiantar procurar muito por ela. Da mesma maneira que desapareceu a primeira vez, voltou a desaparecer pelo mesmo interesse. Apareceu-me um dia para me pedir dinheiro e como até tenho um bom coração, dei a quantia que pediu e partiu para parte incerta.

Fernando arregalou os olhos e partiu em direcção à Clara, com os punhos cerrados em sinal de raiva. - O que fizeste com a Joana, Clara? Que maldade já aprontaste, mulher?!... Disse quase cuspindo-a ao falar.

- Calma, homem. Não fiz nada de que o destino não já tivesse se encarregado de fazê-lo. Sua queridíssima engravidou outra vez, só Deus sabe de quem, - Disse ela com tom sarcástico olhando Fernando nos olhos. - E me propôs desaparecer para sempre se eu lhe desse uma boa quantia para ir viver em outro país e eu como boa que sou... Dei.

Fernando não quis acreditar no que estava a ouvir. Sabia perfeitamente que o filho que Joana tinha era dele, assim como o outro do meio. Agora ele sabia que tinha três filhos e viu que já não poderia ter nenhuma ligação com a Clara. Em poucas palavras disse que a deixaria e iria procurar a Joana para viver com ela e os filhos para sempre. Clara riu-se às gargalhadas. Gozava do momento que estava a passar e ria-se de ver a cara de sofrimento do Fernando.

- Não te irrite e decida tão rápido, meu querido. Lamento que seja muito tarde para isto. Não creio que venha a encontrá-la jamais. Ela sabe muito bem o que me prometeu em troca daquele dinheiro...

- O que você fez, mulher malvada? - O que você fez?

4 comentarios:

Espaço Mensaleiro dijo...

Parabéns!

João Videira Santos dijo...

Um texto interessante e de leitura fluída.

Paula dijo...

Escreve muito bem.
A história dá que pensar...


Dou-lhe os parabéns pelo blog.

Abraço

tossan dijo...

Eu então quero ler os outros capítulos...Gostei do seu blog e vou voltar. bj