jueves, 3 de julio de 2008

Notícia inesperada

Sem que ninguém percebesse, Serginho estava do lado de fora, perto da porta da cozinha, que estava entreaberta. Ele havia saído para procurar a sua avó. A senhora estava com a doença de Alzheimer e não podiam deixar nunca de prestar à devida atenção a todos os seus passos. Por vezes, até tinham que acompanhá-la ao banheiro. Durante o dia, ela tinha uma estudante que lhe dava assistência para ganhar algum dinheiro para seus estudos, mas quando se ia, o responsável tinha mesmo que ser Serginho.
Nesta noite, sua avó lhe convenceu que queria ver um pouco da noite de luar. Apesar dele afirmar que a noite era de lua minguante e que mal se via no céu por causa das nuvens, a avó insistiu tanto e falou com ele tão rispidamente que ele não teve outra alternativa. Passearam por todo o quarteirão e por causa de um gatinho bebê que estava na calçada, Serginho se distraiu por uns minutos confiado que sua avó estava sentada tranquilamente no banco do jardim a apreciar lá o que queria.
Serginho enquanto acariciava o gatinho, pensava em Carolina. Imaginou como ela ficaria contente se ele lhe oferecesse o animalzinho. E quando voltou à realidade, já não via a avó donde atinha deixado. Correu para casa para pedir ajuda à sua mãe, mas lembrou que ainda não tinha chegado do trabalho, assim que pensou na D. Amélia. Foi até lá e fatalmente terminou por ouvir o final da conversa da D. Clara...
- Não adianta tentar me impedir, mamã. Eu sei o que será melhor para esta família. Paguei a um homem para encontrar a desgraçada da mãe de Carolina e levá-la para bem longe desta cidade. Quiça do país. Eu lhes dei suficiente dinheiro, - Contou D. Clara à mãe. - Vais ver que a partir de agora, terei sossego.
- Valha-me Deus Clara, o que fizestes? - Exclamou D. Amélia levando a mão à boca.
- Não lhe vão fazer mal, mas terei que contar a Fernando que soube que ela morreu em um acidente. Assim lhe impedirei que pense um dia em procurá-la.
- Clara, por favor. No que te tornastes, minha filha? Você tem que ter confiança em si mesma. Não adianta fazer este tipo de coisas...
- Adiantará. Fernando não merece a mim nem a ela.
- O que dizes... O que fez Fernando às duas? - Disse D. Amélia, cada vez mais boquiaberta.
- Me traiu pela segunda vez com a mesma mulher, mamã.
- E o que você esperava? Ela é mãe da Carolina. Naturalmente que eles teriam um dia que se contactar. E daí?... É por isso que ele fez mal às duas? Que mal fez ele à ela além de se manter afastado por sua causa? - Perguntou insistentemente D. Amélia.
- Engravidou-a outra vez. Ela está grávida outra vez, ouviste?! Eu não suporto isso. NÃO SUPORTO!

1 comentario:

Vieira Calado dijo...

Como sabe, o esquema dos blogs é deficiente para leituras como propõe.
Mas faz bem, mesmo assim, ir fazendo sair o texto.
Quanto ao lançamento que anunciei, eu também não estive presente. Além de não ter nada de minha autoria (tive-o o ano passado no nº 11), também estou longe.
Bjs