martes, 13 de mayo de 2008

Despedida

Aquele sorriso de Marcos e o seu olhar, deixou Carolina desconcertada e pesarosa. Ela sabia que tinha um sentimento de carência muito grande e também sabia que ele só devia ter olhado carinhosamente para ela porque com certeza fazia parte do seu trabalho. Por uns instantes pensou no Marcos como seu príncipe encantado e antes que pudesse sonhar algo mais na sua imaginação, foi tomada de assalto por um menino que a tomou pelos braços e a convidou para sentar em uma das camas com eles. Todos queriam ver o carrossel a funcionar.
Enquanto a musiquinha ia e vinha várias vezes, Carolina voltou a pensar no seu pai. Não sabia se ele iria conseguir viver e ela experimentava de vez em quando um espécie de tremor interior quando pensava em viver sozinha com a sua mãe. Dizia ao seu coração que se isso viesse a acontecer, que ela fugiria de casa.
- Carolina, é seu nome, não é mesmo? - Perguntou o menino que a tinha convidado para sentar.
- Sou, e você? - Respondeu perguntado ela ao menino. Sem se importar por ter saído dos seus pensamentos de revolta.
- Eu me chamo Arnaldinho.
- Arnaldinho? - Deve ser diminutivo de Arnaldo...
- É. Mas eu gosto que me chamem de Arnaldinho. Me sinto mais pequeno e aí me tratam com mais carinho.
Carolina riu-se.
- Pena que o meu nome é muito esquisito para colocar no diminutivo. Já pensou se me chamassem de "Carolininha"? Que horror.
- É mesmo. - Disse ele, rindo. Mas podemos te chamar de "Carol".
- Gente, ela agora se chama "Carol" para os amigos!
- Eeeeeeeeeee. Gritaram todos. Carol! Carol! Carol!
Carolina se pôs a rir com eles e terminou por se embolar na cama com os balões, pois todos vieram lhe abraçar ao mesmo tempo a lhe fazerem corségas.
Carolina estava feliz. Naquele momento, entre crianças, brinquedos, alegria e bondades, ela não se lembrava de suas histórias tristes de vida. Mas como não podia deixar de ser...
- Vamos! - Falou uma voz de mulher que estava estática parada na porta do quarto. Era sua mãe. Disse um "Olá" seco para todos e extendeu a mão dizendo. - Vim buscar Carolina Pignar. Disse ela, sabendo que Carolina detestava que lhe chamassem pelo nome todo.
- Muito bem, disse a enfermeira-boneca. Mas antes ela tem que prometer que cada vez que vier ao Hospital que venha também para nos ver. Ela já fez muitos amigos e eles gostaram muito dela. Não foi pessoal?
- Carol! Carol! Carol!. Responderam em coro.
- Pode ser. Amanhã estarei aqui, mas não sei se ela virá. Mas vou pensar. Logo se vê...
Carolina sabia que sua mãe fazia sempre isso para que ela soubesse de ante-mão que tudo dependia dela. De que seu comportamento em casa deveria ser excelente de forma que sua mãe não se aborecesse com nada.
Olhou para trás antes de sair do quarto e deu um adeusinho com a mão próxima ao peito e disse-lhes:
- Até amanhã!

1 comentario:

Tâmara dijo...

Carolina....Pequena e forte!

Querida, obrigada pela visita e pelas palavras de carinho ...

volte mais vezes!
Bjo grande!