jueves, 15 de mayo de 2008

Revelação

Carolina, já pálida, escutou D. Clara que olhava profundamente para os seus olhos.
- Você não é minha filha verdadeira. Já deve ter notado. Nunca gostei de ti Carolina e não pretendo gostar ou estar com você nesta casa, caso seu pai morra. Sempre soube que seu pai não gostava de mim. Mas o meu pai, fez um trato com o seu avô e eu tive que te aceitar para criar como se fosse minha filha. - Disse D. Clara, sem pestanejar. - Não gosto da maneira como me olhas e não gosto da sua cara. Você se parece com a sua mãe biológica e eu não a suporto. Por isto que estou a lhe falar, e mais uma vez repito, se seu pai vier a falecer, você irá para a casa de sua avó. Minha mãe, não sei porque cargas d'água, gosta de ti e não a quer deixar ir para longe dela.
- Mas, mas... - Gaguejou Carolina.
- Cale-se. Não me interrompa. - Vociferou D. Clara. - Eu não terminei. Não adianta vir com a idéia que quer conhecer a sua mãe ou que era melhor se voltasse para ela. Isto jamais vai acontecer. Nem por cima do meu cadáver. Aquela mulher não merece nada que eu lhe ofereça. E não vou discutir este assunto com você. Tens dez anos de idade e até completar alguma coisa que se pareça com maturidade, vais obedecer a quem eu mandar.
Carolina não acreditava em tantas palavras arrogantes e rudes. Queria fugir dali aos prantos e atirar-se em sua cama. Mas tinha tanto medo de D. Clara que não se atreveu sequer a chorar. Como disse ela, não queria ver nenhuma lágrima a saltar dos olhos.
"Que mal eu fiz, para merecer isto..." Pensou Carolina, a chorar por dentro da sua alma.
- Amanhã vai comigo ao Hospital e não quero que faça cara de tristeza, do contrário jamais voltará a ver o seu querido pai.
Carolina acenou com a cabeça e sem tirar o olhar da D. Clara, com coragem perguntou:
- Posso ir agora?
- Não. Pode dizer o que quer falar, pois não vou mais voltar a este assunto.
- Eu não tenho nada o que dizer. Amanhã vamos ver o pai e quando ele falecer, mudo-me para a casa da avó Mamela. - Disse Carolina, tentando mostrar frieza nos seus sentimentos e tratando a avó Amélia pelo nome carinhoso. - Posso ir deitar agora?
- Sem comer? - Perguntou D. Clara, satisfeita por Carolina ter obedecido e não ter feito nenhum teatro infantil.
- Não tenho fome. Comi um pedaço de bolo no Hospital com os meninos. - Disse ela, mentindo.
- Pois bem. Suba então.
E lá foi Carolina. Devagar, mas com passos firmes. Sentia-se como se tivesse crescido mais cinco anos. Sua cabeça dava milhões de voltas, mas havia uma coisa que lhe deixava completamente feliz: A sua mãe, não era D. Clara!

2 comentarios:

Fernando Rozano dijo...

Lendo tua novela, descubro que a revelação está em ti, em tua escrita que flui, na construção de personagens densos e sobretudo repleto de sentimentos humanos. E com belos achados literários. A última frase desse capítulo é preciosa na história. Grande abraço.

JOICE WORM dijo...

Fernando,
Seu elogio e atenção me deixam lisonjeada. Minha imaginação tem muito mais do que o que escrevo e venho treinando para me organizar e controlar cada folha e cada revelação. Espero não me alongar muito nesta novela. Já tenho outras a se empurrarem na minha cabeça e estes neurônios estão a envelhecer... Espero que fiquem os mais experientes. (Risos) Um beijo para ti, e meus sinceros agradecimentos por gostar do que lê. Mas também, lhe deixo à vontade para fazer críticas do que estiver mal,sempre que veja que será preciso.